sábado, 12 de janeiro de 2013
Vício de checar e-mails, redes sociais, assistir tevê e jogar videogame noite adentro tem prejudicado a saúde de milhões indivíduos Da Redação redacao@arcauniversal.com
“Só mais meia horinha.” Pensamentos como esse povoam cada vez mais a cabeça de pessoas mundo afora quando chega a hora de desligar computadores, notebooks, tevês, celulares, iPads, etc. para ir dormir. Assim, meia horinha aqui, meia horinha ali, e lá se foi um tempo precioso de necessário e reparador descanso.
Essa verdadeira dependência, para não dizer vício, de checar e-mails, acessar redes sociais, assistir tevê, jogar videogame, buscar mensagens de texto noite adentro pode estar custando caro à saúde de milhões de indivíduos e comprometendo o desempenho no trabalho e nos estudos durante o dia.
Segundo o levantamento da da Fundação Nacional do Sono (NSF), com sede em Washington (Estados Unidos), os baby boomers (pessoas que atualmente têm entre 46 e 64 anos) são os que mais abusam da tevê antes de dormir, enquanto mais de um terço dos adolescentes de 13 a 18 anos, e 28% dos jovens de 19 a 29, sacrificam o sono para jogar videogames. Desse total, 61% revelam que usam o computador ou laptop várias noites por semana. Um detalhe preocupante: mesmo adormecendo, boa parte acorda durante a noite ao toque de celulares e por conta de mensagens de texto ou e-mails.
De acordo a pesquisa divulgada em meados de 2011, 95% dos norte-americanos usam eletrônicos 1 hora antes de ir para a cama e cerca de dois terços admitem que não dormem o suficiente durante a semana. Ao mesmo tempo, estudos realizados na Escola Médica de Harvard, também nos Estados Unidos, apontam que a exposição à luz artificial antes de dormir pode aumentar a vigilância e suprimir a liberação da melatonina, um hormônio que induz ao sono.
Apesar de especialistas recomendarem no mínimo 9 horas de sono aos adolescentes, estes, segundo a pesquisa da NSF, dormem em média 7 horas e 26 minutos durante a semana. Além disso, a NSF afirma que as poucas horas de sono estão afetando negativamente o trabalho, o humor, a família, o jeito de dirigir, a vida sexual e a saúde dos norte-americanos.
“Cada pessoa tem seu próprio ritmo”
Segundo a médica neurologista Carla Slater, o uso do computador e da televisão realmente vem prejudicando o sono, principalmente dos jovens. “Os maiores prejuízos causados pela qualidade de sono ruim são a sonolência, a diminuição do rendimento escolar e no trabalho, diminuição da atenção, dificuldade de concentração e alterações frequentes de humor”, afirma.
E acrescenta: “Atualmente, a maioria das pessoas usa algum tipo de aparelho eletrônico antes de ir para a cama, seja para checar e-mails, jogar, o que contribui para a diminuição da qualidade do sono durante a noite.”
A especialista, entretanto, ressalta que o número de horas de sono varia de acordo com a idade. “Cada pessoa tem seu próprio ritmo. O ser humano dorme, em média, 8 horas por noite, mas esse tempo muda de acordo com as faixas etárias. Por exemplo: recém-nascidos dormem cerca de 15 a 20 horas, enquanto idosos dormem de 5 a 6 horas. O importante é a qualidade do sono e não a quantidade de horas dormidas. O número ideal de horas de sono é aquele que faz com que a pessoa, no dia seguinte, sinta que dormiu o suficiente”, orienta.
Carla ratifica a informação de que a exposição à luz artificial de computadores, celulares, televisões e games suprime a liberação da melatonina. “Esse hormônio regula o ritmo circadiano (sono e vigília), aumentando o estado de alerta, tornando mais difícil o adormecer”.
Noites mal dormidas
Sacrificar o sono em troca de algumas horas a mais diante de um computador, notebook, iPad, é uma prática quase “epidêmica” entre os jovens, que muitas vezes demoram para perceber os prejuízos que tal hábito pode estar acarretando à saúde.
Elisiê Pepino, estudante de direito, de 22 anos, era um exemplo perfeito daquelas pessoas que ficam além da conta em frente a um computador, deixando de dormir o número aconselhável de horas. Era, porque abandonou o hábito. “Eu ficava de 2 a 3 horas usando o laptop antes de dormir, mesmo sentindo falta do sono completo, aquele de 6 a 8 horas que devemos ter, quando eu tinha que acordar cedo”, admite.
A estudante afirma que o hábito de dormir pouco comprometia seu rendimento durante o dia. “Sentia muito sono na faculdade. E se dormia a mais determinadas vezes para compensar as noites mal dormidas, meu dia ficava perdido. Sem falar na preguiça, na falta de estímulo do próprio corpo, era tudo muito mais lento”, ressalta, lembrando que dormir pouco também prejudicava muito sua memória. “Isso me fez ter sérias dificuldades durante o curso”.
Elisiê diz que seu foco no computador era a internet. “Mas tenho colegas que são viciados em tevê, videogame e até em estudar de madrugada. Eu também era adepta do estudo noturno, mas tive que melhorar meus hábitos e passei a estudar à noite somente em época de provas. Eu ficava horas no notebook, mas não necessariamente utilizando redes sociais. Diria que 70% do meu tempo gasto na internet era relacionado ao meu curso de direito”, salienta a estudante. “O mais incrível é que eu mesma não percebia que aquilo estava me prejudicando. Até que meus pais me alertaram. Foi quando mudei minha rotina e abandonei aquele hábito”, conclui.
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Muito legal essa postagem.
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